Técnica de grupo nominal

Autor: 
Ana Escoval

A Técnica de Grupo Nominal (T.G.N.) ou método de Delbecq, em homenagem a quem o divulgou, é um processo que recorrendo a um grupo de peritos permite seleccionar, fazer julgamentos e fomentar a criatividade de sugestões para a resolução de um problema complexo.

Finalidade

A Técnica de Grupo Nominal (T.G.N.) ou método de Delbecq, em homenagem a quem o divulgou, é um processo que recorrendo a um grupo de peritos permite seleccionar, fazer julgamentos e fomentar a criatividade de sugestões para a resolução de um problema complexo.

Objectivos

  1. Identificar as sugestões para resolução de um dado problema, nomeadamente quando este é complexo e envolve vários aspectos;
  2. Ordenar as sugestões apresentadas de acordo com as prioridades estabelecidas;
  3. Desenvolver a capacidade de criar ideias e de decidir sobre a sua prioridade em relação à reso1uçao de um problema.

Requisitos

A T.G.N. recorre, normalmente, a 5-9 membros. Considera-se que grupos inferiores a cinco peritos não permitem uma diversidade de opiniões suficiente e que grupos superiores a nove tornam a reunião muito extensa, dificultam a ordenação e clarificação das ideias apresentadas e inibem alguns membros do grupo.

Descrição do processo

1º PASSOConcepção das sugestões – É distribuída a cada um dos membros do grupo, uma folha de papel onde se encontra escrita a questão em causa e depois o coordenador faz a sua leitura em voz alta. O problema deve ser ilustrado com um exemplo. É conveniente evitar pedidos de esclarecimento, o que permite uma reflexão cuidada e individual do assunto. É solicitado a cada um dos elementos do grupo que escreva, em frases curtas, as suas sugestões para resolução do problema.

2º PASSOListagem das sugestões – O coordenador escreve e numera as ideias expressas pelo grupo num quadro bem visível por todos. Ele deve explicar que novas ideias podem ser acrescentadas àquelas e que cada membro do grupo pode intervir mais do que uma vez nas sucessivas "voltas de intervenções" que serão realizadas. Isto confere igualdade de oportunidades para delinear o pensamento do grupo quanto aos itens a listar, evitando as duplicações.

3º PASSODiscussão das sugestões – O coordenador deve começar por explicar que nesta fase vão ser clarificadas a ideias expostas, apresentadas as razões de concordância ou de discordância e que devem ser evitados os argumentos de persuasão. Inicia-se, em seguida, a discussão das ideias expostas no quadro. Pretende-se nesta fase clarificar as sugestões sem permitir que seja exercida influência de uns sobre os outros.

4º PASSOPrimeira votação – Pede-se para que na votação seja adoptada uma escala, por exemplo de 1 a 5. Nesse caso, 1 seria a importância menor atribuída a cada item e 5 a maior. Distribui-se depois a cada membro do grupo um número de votos igual ao de itens seleccionados. Em cada boletim de voto, terá de constar: a) no canto superior esquerdo o número do item seleccionado, e b) no canto inferior direito o número de ordem (em termos de importância) atribuído a cada item. Procede-se ao escrutínio e escrevem-se os resultados no quadro. A intenção do voto anónimo e quantificado é impedir a pressão de outros e permitir uma fácil ordenação das ideias expressas pelo grupo.

5º PASSODiscussão da primeira votação – Discutem-se brevemente os resultados, adverte-se que é a ultima oportunidade para clarificar as sugestões expressas no quadro e para apresentar razões de concordância e de discordância, isto para garantir que a diferença de votações é resultado de várias opiniões e não de falta de esclarecimento dos itens em discussão.

6º PASSOUltima votação – Vota-se, de novo, de maneira idêntica à anterior. Obtêm-se a lista final dos itens seleccionados devidamente classificados por ordem de prioridades. Encerra-se a sessão.

Vantagens e limitações da T.G.N

Esta Técnica, tal como qualquer outra, tem vantagens e limitações que convém assinalar.

Vantagens: Consegue-se com a participação de vários peritos contribuir para a resolução de um problema complexo. A participação do grupo é o somatório da participação individual de cada um dos seus membros, tanto na concepção como na votação dos itens, porque é evitada a influência de uns nos outros. Porém a clarificação das sugestões expostas fomenta a criatividade de novas sugestões, conseguindo-se assim um vasto número de sugestões para se resolver o problema em análise.

Limitações: Nem sempre é fácil reunir um grupo de 5 a 9 pessoas profundamente conhecedoras de um assunto. Alem disso, esta técnica ao privilegiar a individualização das intervenções dos peritos pode reduzir a criatividade que seria desejável.

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