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Estado da arte

A década de 60 marcou uma viragem na história do século XX. Enquanto em Paris os estudantes revelavam o fim de uma época sustentada por estruturas de pensamento que já não respondiam às necessidades de uma sociedade em mutação profunda, em 1968 foi cunhado o vocábulo paradigma como um conjunto de crenças tão fundamental que se encontra fora do alcance do teste do empirismo.

 

Na sua perspectiva, um paradigma caracteriza longos períodos de calma, durante os quais a ciência normalizada é praticada pela comunidade científica, procurando aprofundar o carácter exploratório de uma estrutura teórica baseada num só conjunto de crenças fundamentais.

 

É neste contexto que se pode falar do paradigma patogénico, como estruturante do desenvolvimento das ciências que têm como objecto a saúde. A sua omnipresença é tão marcante que a própria evolução do conceito saúde foi posta em causa pela sua limitação a uma vaga ausência de doença e a um impossível completo bem-estar. Reveladas as suas limitações, perante a evidência que se ia acumulando pela investigação levada a cabo nas várias áreas relacionadas com a saúde, impôs-se a necessidade de se encontrar uma outra estrutura teórica baseada num só conjunto de crenças fundamentais que permitisse completar a compreensão do binómio saúde e cidadão.

 

É assim que, na década seguinte, acentuando as origens da saúde e do bem-estar, é cunhado por salutogénese a emergência de um novo paradigma no campo da saúde (do latim: salus = saúde; e do grego: genesis= origens).

 

 

A predominância do modelo bio-médico estruturado pelo paradigma patogénico acentua o anormal disfuncional e é patente nas várias áreas do saber que tocam a saúde. Assim, a orientação patogénica, na maioria das vezes, caminha para a descoberta daquilo que leva ao aparecimento da doença e foca a gestão dos efeitos de doenças particulares. Esta compreensão é então usada para encontrar os caminhos que permitirão combater e prevenir cada uma dessas doenças.

 

No âmago do paradigma patogénico, encontra-se a assunção de que as doenças são causadas por agentes físicos, bioquímicos, microbiológicos, sociais e psicológicos tendo várias teorias desenvolvido esta noção básica.

 

Actualmente, e de um modo mais sofisticado, esta expressão patogénica encontra ênfase na determinação dos modelos multifactoriais, exprimindo-se usualmente em termos de factores de risco.

 

O paradigma salutogénico emerge progressivamente como uma outra proposta fundamental na abordagem da saúde, fruto do desenvolvimento simultâneo de vários constructos (por vezes até de uma maneira independente) que testeficam claramente para a emergência de um novo conjunto de crenças fundamentais relacionado com a saúde que focam a descoberta não da doença, mas dos factores que mantém o cidadão com saúde, com a melhor saúde (e.g. locus of control, sense of coherence, social interest, personality hardiness, self directness, self esteem,  potency, stamina ou ainda learned resourcefulness, o optimism, o sense of humor, self efficacy and human agency, resiliency).